Queremos massa! Queremos massa!

Terça-feira, 8h50 da manhã. Uma manhã cinza em Porto Alegre. Na penúltima curva antes de chegar ao trabalho, olho para uma construção que tem bem na esquina e me ligo numa gritaria. São três pedreiros, encenando uma coreografia tosca e descompassada, óbvio, berrando lá de cima para um colega que está no térreo:

 

- QUEREMOS MASSA!! QUEREMOS MASSA!! QUEREMOS MASSA!!

 

Depois disso, meu dia ficou ótimo. 

 Anjos e Demônios

 

Não li o livro homônimo, do Dan Brown, por pura birra. Não sei se pela forma de escrever do autor ou pela tradução, a verdade é que não me agradou a forma como o livro foi escrito. Pontuações equivocadas e construção de trama de novela talvez sejam as razões mais marcantes. Enfim, não vou falar do livro mas sim do filme, que assisti ontem. No início da sessão, o curador da pré-estreia, um amigo do Clube do Assinante da Zero Hora, anunciou que este talvez seja o maior filme de 2009. E por toda a polêmica que gerou (novamente) com a Igreja, talvez venha a ser mesmo. 

 

Em Anjos e Demônios, dirigido por Ron Howard, o assexuado professor Lagdon (Tom Hanks) é novamente chamado para resolver um mistério graças ao seu conhecimento de simbologia e história. Desta vez, o pano de fundo é Roma e o Vaticano. Aliás, aqui vai o primeiro ponto para o filme: belas imagens das cidades, o que deixa o filme beirando à chapa branca. Mas nem só de pontos turísticos a história é feita. Uma cientista, Vittoria Vetra (Ayelet Zurer), tem o objeto de seu trabalho, a partícula de antimatéria, roubado, supostamente pelos Iluminatti, sociedade secreta formada por cientistas que foram perseguidos séculos atrás por apresentarem ideias que iam contra a verdade da Igreja. O cenário não poderia ser mais propício: o papa acabou de morrer e, durante o sede vacante, a realização da conclave, cerimônia que elege o novo papa, é ameaçada. Quatro preferiti, os cardeais preferidos pelo antigo papa à sucessão são sequestrados pelo mesmo responsável pelo roubo da partícula de antimatéria, também chamada Partícula de Deus, que pode explicar o Genesis. 

 

Parece muita informação – e é. O ritmo do filme é meio alucinante e existem poucas pausas para respirar. Cada tentativa de resgate de cardeal vale um clímax, que se juntam a mais alguns antes que o filme termine de vez.

 

Uma coisa é muito válida na história de Dan Brown: o clima de suspense e as muitas possibilidades de desfecho. Os personagens permitem interpretações ambíguas o tempo inteiro e, por mais que o filme tenha alguns aspectos previsíveis, o final até que reserva uma certa dose de surpresa. Outra coisa é a fotografia: belíssima. Dá vontade de ir a Roma.

 

Uma coisa um tanto quanto inverossímil é a questão dos tempos. Não conheço Roma, mas acredito que deva ser “meio” complicado atravessar a cidade em pouco mais de 5 minutos, ainda mais com milhares de pessoas ao redor da Basílica São Pedro aguardando a decisão da conclave. A maior parte do filme se passa entre às 18h30 e a meia-noite de um mesmo dia, o que dá uma atmosfera meio 24 horas (o seriado do Jack Bauer), por isso do ritmo alucinante. Dá vontade de pedir pra parar um pouquinho pra tomar uma água. Além disso, achei o filme muuuuito recheado de pequenas morais da história. Mas também, seria genial fazer um filme sobre a Igreja sem cair nessa tentação. Não foi o caso.

 

A verdade é nua e crua: Anjos e Demônios cumpre a missão de ser um bom filme de entretenimento. Não é pra pensar. Não é pra refletir. Não é pra achar original tampouco inovador. Não é pra questionar se aquele ou aquele ponto da história é fato ou invenção da cabeça do autor. Anjos e Demônios é um filme pra sentar e curtir numa boa, pra se divertir com a ação e admirar a fotografia da cidade de Roma. Afinal de contas, cinema é diversão ou não é?

 

Liam "não tô nem aí pra vocês" Gallagher

 

Deveria ter escrito esse post há 2 dias, mas trabalho, aulas e outras atividades não permitiram que eu o fizesse. Para tentar recriar a sensação com que acordei na manhã seguinte ao show, montei um playlist com o set do show, e é o que estou ouvindo agora.

 

Decidi ir ao show na própria terça. Ao meio-dia atravessei uma Porto Alegre chuvosa e com trânsito caótico para comprar o ingresso. Neste momento, lembrei da primeira vez que ouvi Wonderwall, em uma tarde também chuvosa de um distante inverno de 1996. Em breve, What’s the Story Morning Glory (1995) se tornaria um disco fundamental para mim. Mas o passado não vem ao caso, e sim a noite de 12 de maio de 2009.

 

Com o ginásio cheio (mas que permitia se movimentar e respirar, diferente do show do Maiden, em março passado), o rock deu suas caras com um show competente da Cachorro Grande. Pululantes como sempre, os guris mandaram ver na distorção e gritaria. E ainda deixaram clara sua devoção pela banda que esperava atrás do palco para ‘mostrar como se faz o rock and roll’.

 

E pra mim, foi isso que aconteceu. O Oasis dos marrentos Gallagher deu uma verdadeira aula de folclore do rock. Tem muita gente que torce o nariz para o lado mais comercial da banda, eu mesmo já fui um, mas é inegável que a fórmula funciona, e muito bem. O som muito alto, guitarras distorcidas e sempre soando, um baterista extremamente competente, um vocalista blasé e um guitarrista extremamente musical fazem de um show do Oasis uma legítima demonstração de como fazer uma grande banda de rock. Sem virtuoses ou apuradas técnicas, sem fogos de artifício nem bonecos gigantes, sem maquiagem, perucas ou dançarinos elétricos, sem peitos nem bundas, sem frescura. Pra quem gosta de rock, afirmo dizer que o show foi INCRÍVEL, única palavra que achei adequada para definir a experiência.

 Liam e Noel, cada um do seu lado do palco

 

 Impressões à parte, antes do show (creio eu), Noel Gallagher publicou um texto no myspace da banda em que questionava o porquê de tocar em cidades menores como Curitiba e Porto Alegre.

 

 

“What a mad day! I just woke up at 11:45. A.M.! That in itself is mental. I haven’t slept that long since 1998 – Paris, I think it was.

 

It’s FUCKIN’ PISSING DOWN WITH RAIN and it’s pitch black – maybe not black, but very, very grey.

 

Curitiba was great. The gig was anyway. Dunno what we’re trying to prove by playing places like that, and here in Porto Alegre for that matter. Why not just do 2 big, fuck off gigs in Rio and Sao Paolo?? If everyone in Argentina is willing to travel to Buenos Aires to be part of one of the greatest nights of all time (I’m not kidding, you should’ve been there!) Then I don’t see what the difference is in Brazil. It’s the kids who lose out, if you ask me. Someone throwing up a make-shift stage in some car park can never compare with the noise and colour of a stadium. Still, the gigs themselves are great. Could be better though. Anyway, ’nuff of that.

 

What’s happening with you?

 

As I said, am currently in Porto Alegre. Waiting to soundcheck. In the rain.

 

Looking forward to going home tomorrow.

 

In a bit.”

 

 

Porém, no dia seguinte, resolveu voltar atrás, e se redimiu afirmando que o show em Porto Alegre havia sido incrível.

 

 

 

“Ahem. I take back all I said yesterday. About bring the mountain to Mohammed (are we still allowed to say that? I recall an incident with a teddy bear recently), so to speak. Last night’s gig was incredible. I say gig, I’m not sure I heard any of it, but the night was amazing. Amazing. Amazing.

 

Even The Shroud had a banner in the crowd. It was a cardboard cut-out of his hairy little head. Underneath was the legend, “JESUS”. Simple. Beautiful.

 

Had to scarper after the gig. Would have loved to have stayed and re-lived the 90s but the writing bug has gripped me. Nearly wrote 5 new songs on this leg alone! Gotta get them down while it’s still happening.

 

I speak directly to you people of South America. You have been truly amazing. It’s been a privilege to play for you. The memories of this little tour will live with me for a long time. Mucho gracias and obrigado.

 

Hasta luego.”

 

 

Vou dizer uma coisa: pelo que eu percebi da reação dos caras no palco, parece que os Gallagher e eu concordamos: foi um show realmente incrível.

 

* O crédito das fotos é de Fábio Codevilla.

Dormindo com o inimigo

Maio 11, 2009

Sakar-Darth-Vader-Alarm-Clock

Chupado do LikeCool. Já encomendei o meu.

Até tu, Obama?

Maio 11, 2009

The-Obama-COPE-Poster

 

Wolverine

Hoje foi um dia agitado. Acordei por volta das 6h30 e o primeiro pensamento que meio veio à cabeça foi: hoje tem a pré-estréia do Wolverine. 20 anos separam hoje do primeiro contato que tive com o personagem de língua e garras afiadas que fuma charutos baratos e não leva desaforo algum pra casa. A medida que o horário da sessão se aproximava, ficava ainda mais agitado. Meia hora antes do filme já estava nervoso com o atraso da minha acompanhante. O cinema lotado e lugar muito próximo da grande tela aumentaram ainda mais o que eu defino como uma grande expectativa em relação a este filme, Wolverine, que estréia hoje nos cinemas brasileiros.

Se me pedissem hoje para resumir o Wolverine dirigido por Gavin Hoods em apenas três palavras, eu diria: sangue, dor e moral. O que eu falo fica bem claro já na primeira sequência do filme, quando somos apresentados ao primeiro grande trauma do personagem principal, ainda criança. Para defender a moral, o jovem Logan (Jimmy) derrama sangue e causa dor, uma tríade que vem a sustentar grande parte da trama decorrente, que tem suas situações desenroladas a partir dos questionamentos que envolvem essa questão: sangue, dor e moral. 

O início do filme é marcado por uma linha do tempo que se desenvolve de forma plástica e muito bem editada. Através dela somos transportados da metade do século XIX até pouco mais de meia década depois da Guerra do Vietnã, quando os irmãos Logan e Victor, unidos desde a infância, são convidados a percorrerem um caminho que logo descobrirão sem volta. É nesse ponto que a moral aparece, pela primeira vez, de forma incisiva, quando Logan se recusa a compactuar com a morte de pessoas inocentes. Neste sentido, o filme se aproxima bastante da trilogia X-Men, com todos os seus questionamentos sobre a moral e ética do ser humano (ou mutante).

É claro que um heróí do porte do Wolverine jamais seria cúmplice de algo antiético. Ele pode ser bronco, ranzinza e posar de durão, mas sempre tenta rejeitar sua porção animal em prol daquilo que é certo (ou ético). Isso fica bem claro no seu romance com Kayla (Raposa Prateada?). Incrível como até os brutos ficam retardados quando se apaixonam. Mas alegria de herói sofrido dura pouco, e logo logo ele entra na tal caverna oculta em busca de vingança – e paga um preço alto por isso.

Se eu contar mais, acabo contando muito (ou seja, mais do que você precisa saber se ainda não viu o filme). Por isso, vamos direto aos pontos importantes:

- Finalmente Remy Lebeau deu as caras;

- A explicação do nome Wolverine, o casaco, a moto, o charuto, o adamantium, a amnésia. Para quem não acompanhou as histórias em quadrinhos, tudo começa a fazer sentido;

- As cenas de ação, com destaque para a abertura, a invasão ao prédio pela superequipe do Major Striker, a cena do helicóptero e a luta contra DeadPool;

- Hugh Jackman, o cara nasceu pra ser o Wolverine.

Um ponto para prestar atenção é a hora que Wolverine vai até a ilha, levado por Gambit. No avião, ele tira a jaqueta e se joga na água em altíssima velocidade. Logo depois, quando ele chega ao laboratório de Stryker, ele está de jaqueta novamente. Será que ele enrolou na cintura e ninguém viu?

Como fã das histórias em quadrinhos, me senti respeitado depois de assistir ao filme (minha expectativa era grande, logo uma pequena grande falha poderia me decepcionar rapidamente – o que não aconteceu). Não é um filme inovador, tampouco traz originalidade – pelo contrário, é uma estrutura clássica, onde temos bem definida a jornada do herói, com algumas variações, e até certos clichês visuais – como a cena final, em que ela carrega —– em direção ao pôr-do-sol. Os efeitos especiais são bons, é verdade. Mas está longe de ser revolucionário. O filme é competente e consegue prender a atenção do espectador, conduzido pela história que alterna momentos de segurar na cadeira e boas pausas para respirar. É um excelente filme de ação com várias morais da história.

Se ainda não viu: SNIKT!

A Alma Perdida

Toda vez que me disponho a assistir a um filme de terror, espero sentir uma pontinha de medo. Por mínima que seja, e mesmo já conhecendo muitos dos truques por trás da câmera, a sensação de medo chega a ser um prazer, bastante mórbido talvez. Mas exatamente por já ter assistido a tantos filmes do gênero terror/suspense, fica difícil sujeitar-se ao deleite de encarar o assustador diante a deturpação dos clichês e as derrocadas trash/B. Logo, ao criar essa expectativa, a de ter medo, pressuponho que o filme deve ser muito bem escrito, dirigido e, principalmente, fundamentado.

     Quando decidi assistir A Alma Perdida, com uma tradução até pertinente do titulo original The Unborn, havia acabado de ver o trailer. Muito bem montado, por sinal. No momento, acreditei que talvez pudesse saciar a minha necessidade pelo medo, mas logo me recordei de um trailer enganoso do mesmo gênero – Horror em Amytville. Na ocasião, assisti ao filme com AQUELA expectativa e saí do cinema frustrado. Já havia lido o livro que deu origem ao filme, homônimo, escrito por Jay Anson. Assustador. O filme nem chegou perto. Mas a história de A Alma Perdida me pareceu original e os efeitos bastante interessantes, diria acima da média de muitos filmes de terror/suspense.

     Logo no início do filme, o espectador é apresentado ao drama através de uma personagem já característico em outras produções do gênero: a criança possuída. Um fedelho com olhar demoníaco dizendo “jumby quer nascer”, entrega a chave para desencadear a trama. Cassey é a personagem principal, e a partir desse fato começa a ter diversas visões sinistras, com insetos nojentos, líquidos viscosos e uma criança com olhos de vampiro. No início, parece que tudo está apenas em sua mente, mas aos poucos ele começa a ter provas reais de que não são apenas alucinações. Ela acaba descobrindo, depois de começar a bancar a detetive, que tinha um irmão gêmeo que morreu no parto. O irmão é Jumby, e depois de vinte e poucos anos ele resolveu aparecer para assombrar a irmã.

     Daí pra frente, até que a história seja explicada, o filme se torna uma sucessão de sustos que até prendem a atenção daquele expectador menos acostumado às análises profundas de gênero. Ou seja, pela diversão, até que esse recurso prende a atenção. Porém, para a consolidação do enredo, estes freaks se tornam rasos, artificiais. Cenas entrecortadas estimuladas por trilhas de tons gravíssimos são sobrepostas sem agregar muita coisa à história.

 

     Cassey se torna detetive de seu próprio caso, e aos poucos a história vai se desenrolando. Porém, acaba tomando uma direção diferente daquela sugerida logo no início do filme, quando tudo dá a entender que o irmão não nascido da personagem principal está procurando um portal para voltar ao mundo dos encarnados. Eis que ele acaba possuindo, uma a uma, as pessoas que estão ao redor de Cassey, direta e indiretamente, como seus amigos e namorado, ou um velhinho colega de quarto de sua verdadeira avó, que mora em um asilo.

     O irmão, na verdade, é um demônio, que busca vingança contra o sangue da menina. Logo, voltar para este mundo deixa de ser o principal objetivo da entidade maligna, já que isso, pelo que dá pra ver, ele já consegue fazer. E é isso que confunde a fundamentação da trama, que até apresenta um bom teor de originalidade a partir da utilização da cultura judaica e seus símbolos religiosos, coisa que dificilmente vemos em filmes de terror. Com base nisso, dá pra dizer que o roteiro é quase bem escrito, não fosse alguns pontos dispensáveis, como a infrutífera insistência em mostrar a bunda da personagem principal, o que não agrega absolutamente nada para o desenvolvimento da trama, embora essa bunda não seja nada ruim.

     A sensação que eu tive apos ver o filme é a mesma que já tive depois de ver muitos filmes de terror: podia ter sido um filme muito bom.

 

Hoje fui à locadora devolver um filme, M – O Vampiro de Dusseldorf, a primeira produção sonora de Fritz Lang. Até aí tudo bem. 

Eis que decido locar O Cheiro do Ralo, do Heitor Dhalia, para fazer uma análise. Quando peguei M, fiquei positivamente surpreso pelo prazo – tirei o filme no sábado e devolvi na quarta. Me espantei quando a menina me disse que O Cheiro do Ralo teria que ser devolvido amanhã.

- É lançamento? perguntei.

- Não, não. É que é um filme BOM.

Então quer dizer que filmes ruins tu tem mais tempo pra ver? E que o filme do Fritz Lang é um filme ruim?

Ok, O Cheiro do Ralo é um filme bom. Mas juro que não entendi o critério de separação de gêneros praticado por esta locadora.

Salgadinho sabor CEVA

Para aqueles momentos em que você quer MUITO uma cerveja mas não pode, tipo durante a aula, no trabalho ou no cinema, agora tem salgadinhos sabor CEVA – é o Beer Chips.

E para as mulherzinhas que só tomam destilados, ainda tem os sabores Margarita e Blood Mary.

Se é bom, não sei. Mas a idéia é boa.

Hollywood Lula

Abril 16, 2009

Grandes Líderes Mundiais

Obcecado pela vitória em uma corrida de carros de madeira, Randy rouba energia do governo para turbinar o carrinho e provoca um contato alienígena. Nosso presidente aparece junto aos grandes líderes do mundo para parabenizar o pai de Stam. Vale a pena assistir.